Imagem dos cadernos de Vânia Medeiros
Eu não sei como puxar as rédeas
do cavalo louco em que estou montada.
Tanto tempo eu demorei em ter coragem
de montar este cavalo e só agora
é que descubro a existência destas rédeas
que não sei como puxar.
O cavalo, mesmo louco, também fala
minha língua e, de vez em quando,
olha pra mim e grita:
“pelo amor de deus, faz-me parar um pouco”.
Mais a frente, há uma autopista,
e, se eu não puxar as rédeas do cavalo louco,
talvez uma caminhonete atropele a gente
ou atropelemos uma bicicleta.
Ou talvez sejamos salvos por uma mão misteriosa...
Mas quem terá coragem de puxar as rédeas
do cavalo louco em que estou montada?








