Numa madrugada de ano novo,
tomada de saudades e delírio,
pedi piedade aos deuses,
não me deixem enlouquecer,
mesmo sendo de paixão,
não há alma pra tanta fome,
amenizem-me.
Todo o magma da Terra
fumegava em meu peito,
onde o sono ou a sanidade?
Dopada por algum deus,
pudesse ser Hipnos ou Tânatos,
adormeci finalmente.
Acordei amena e sã,
meu pedido atendido,
amena, sã e só.
Vulcões também dormem,
cinzas, calmantes, mas é sempre
de magma o seio do seio,
onde a seta que eu não vejo?
Nessas novas madrugadas,
sofro de precipícios, terremotos,
cruezas, sufocamento...
Deuses que há,
(não sei pedir o que preciso,
compreendam minha pequenez,
a ignorância que me cabe,
não ouçam o que eu digo,
mas o vão por traz do dito)
não me deixem enlouquecer,
não assim de solidão,
não há boca pra tanta alma,
ascendam-me.